Ensino de História segundo Circe Bittencourt: Fundamentos, Métodos e Reflexões para Professores

Este artigo apresenta um resumo detalhado do livro “Ensino de História: Fundamentos e Métodos” de Circe Bittencourt, abordando a trajetória da disciplina História no Brasil, aspectos epistemológicos do conhecimento histórico e propostas práticas para o ensino. Destaca a importância do professor como mediador do saber e a influência dos contextos político-sociais na construção do ensino de História.

Ensino de História

O livro “Ensino de História: Fundamentos e Métodos”, da professora Circe Maria Bittencourt, é uma obra fundamental para docentes de História, pedagogos e profissionais envolvidos na formação de professores. Apesar de sua importância e presença constante em bibliografias e concursos públicos, há poucas fontes e vídeos explicativos sobre ele, o que motivou a elaboração deste resumo detalhado.

A autora é docente na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e tem como foco de pesquisa o ensino de História, incluindo o ensino da história indígena.

Estrutura do Livro

O livro está dividido em três partes principais:

  1. Histórico da disciplina História
  2. Aspectos epistemológicos do conhecimento histórico
  3. Propostas práticas para o ensino de História e análise do livro didático

Este artigo abordará os pontos mais significativos de cada parte, proporcionando uma visão geral e didática da obra.

O Papel do Professor no Ensino de História

Circe Bittencourt enfatiza que o professor não é um mero transmissor de conteúdo. Ele deve transformar o conhecimento acadêmico adquirido na graduação e pós-graduação em um saber acessível e compreensível para os alunos. O professor atua como mediador entre o conhecimento histórico formal e o aprendizado do estudante.

Além disso, o saber do professor deve ir além do conteúdo disciplinar. É necessário conhecimento sobre currículos, projetos pedagógicos, legislação educacional, materiais didáticos e processos de aprendizagem. A autora denomina essa capacidade de transformar e adaptar o conhecimento como “saber original”.

Este conceito reforça a ideia de que professores são produtores de conhecimento científico e intelectuais, apesar das dificuldades e da desvalorização da profissão.

Parte 1: Trajetória da Disciplina História no Brasil

Transposição Didática

A autora inicia discutindo o conceito de transposição didática, que consiste em adaptar os saberes acadêmicos para o nível de compreensão dos alunos, considerando sua faixa etária e etapa escolar.

História e Instituições Escolares

A disciplina História não pode ser vista isoladamente das instituições escolares, pois é desenvolvida coletivamente dentro delas. É fundamental analisar não apenas o que é ensinado, mas também o que é omitido, para compreender as visões predominantes sobre a ciência histórica em diferentes contextos.

Contexto Histórico e Político

Cada forma de ensinar História está ligada ao contexto político, social e econômico de sua época. A seguir, um panorama histórico do ensino de História no Brasil:

  • Século XIX e início do século XX: Predominância do método positivista e da escola metódica, com foco em História política, documentos oficiais, civismo e grandes heróis nacionais.
  • Década de 1930 (Era Vargas): Consolidação do enaltecimento dos grandes heróis e feitos, com uma História eurocêntrica. Oficialização de feriados nacionais que exaltam figuras republicanas, como Tiradentes. O ensino se caracteriza pela memorização (decoreba) de datas e nomes, sem problematização.
  • Década de 1960 (Ditadura civil-militar): A disciplina História é diluída em “Estudos Sociais”, que agregava Sociologia, Geografia e Filosofia. O ensino enfatizava civismo, moral e cívica, patriotismo e nacionalismo, reforçando uma identidade nacional alinhada ao regime.
  • Pós década de 1980 e 1990: Com a redemocratização e a Nova Ordem Mundial, surgem novas discussões sobre a educação. Em 1996, são criados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), seguidos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Estes documentos refletem influências do capital privado, como a Fundação Lehman, e orientam as políticas educacionais.

Parte 2: Aspectos Epistemológicos do Conhecimento Histórico

Nesta parte, Circe Bittencourt aborda o desenvolvimento da historiografia e a escrita da História, destacando como essas influenciam o conteúdo ensinado nas escolas.

A autora ressalta que o conhecimento histórico é construído e que as escolhas sobre o que ensinar refletem concepções epistemológicas e políticas. Assim, compreender a historiografia é essencial para entender as práticas pedagógicas e os currículos escolares.

Parte 3: Propostas Práticas para o Ensino de História

A última parte do livro é dedicada a propostas de atividades didáticas e à análise crítica dos livros didáticos.

Circe Bittencourt apresenta sugestões para tornar o ensino de História mais dinâmico, problematizador e conectado com a realidade dos alunos, evitando a simples memorização.

Ela também destaca a importância de uma análise crítica dos materiais didáticos, considerando suas abordagens, conteúdos e possíveis vieses.

Considerações Finais

O livro “Ensino de História: Fundamentos e Métodos” é uma obra essencial para professores de História, pedagogos e formadores de professores. Ele oferece uma reflexão profunda sobre o papel do professor, a construção do conhecimento histórico e as práticas pedagógicas.

A obra destaca a importância de um ensino crítico, contextualizado e mediado por professores que são intelectuais e produtores de conhecimento, capazes de adaptar o saber acadêmico para a compreensão dos alunos.

Este resumo busca contribuir para a difusão das ideias de Circe Bittencourt, auxiliando estudantes, professores e candidatos a concursos públicos a compreenderem os fundamentos e métodos do ensino de História no Brasil.

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